Jan 062013
 

Terrenos agrícolas podem estar na origem do próximo boom à escala global, pelo aumento da procura alimentar que se irá verificar nos próximos anos causada pelo surgimento de classe média no continente asiático.

Terrenos agrícolas

Para o setor agrícola antevêem-se transformações profundas motivadas pelo aumento da procura mas também por uma regeneração inevitável pela entrada de novos profissionais num meio que se encontra demasiado envelhecido.

No centro estará a disputa pelos melhores terrenos agrícolas, cujas capacidades enquanto solo arável serão medidas cientificamente e a instalação de explorações agrícolas com produções de larga escala.

Os terrenos agrícolas são um ativo em valorização para os próximos anos nos quais vale a pena investir, as explorações agrícolas verão a sua rentabilidade aumentada.

A seguir a tradução de um artigo do Geopoliticalmonitor

O Boom Global dos Terrenos Agrícolas

Atributos

Os terrenos agrícolas têm dois atributos importantes que os distanciam de outros investimentos.

O primeiro é óbvio: As necessidades alimentares humanas constantes para sobreviver, é só uma questão de qual o tipo de comida.

O segundo são os vários fatores políticos e ambientais que continuamente estão a esculpir a já limitada oferta global de terrenos agrícolas. Fatores como:

  • Alterações climáticas
  • Urbanismo
  • Degradação do solo arável
  • Erosão

Fundamentos

De acordo com o WWF, um terço dos solos aráveis foram destruídos pela erosão e outros tipos de degradação desde 1960. Todos já ouviram que terrenos não se fazem mais e acontece que somos muito bons a destruir o pouco que temos.

O lento decréscimo da oferta terá de ser ajustada aos níveis da procura global que estão em crescimento. Não será apenas o crescimento da população mundial (8 biliões de pessoas em 2025 de acordo com o banco mundial) que operam no aumento das necessidades alimentares, mas também as mudanças socioeconómicas que já estão a alterar os hábitos de consumo pelo mundo inteiro. Com o crescimento das classes médias de países como a China, os hábitos alimentares de primariamente vegetarianos passam a também a incluir muito mais carne, tornando-os dependentes da produção de cereais, colocando assim uma maior demanda aos produtores alimentares.

David Pimentel Universidade de CornellO professor David Pimentel da Universidade Cornell, considera que os cereais usados nos Estados Unidos para a alimentar todo o gado necessário ao consumo de carne nos Estados Unidos, se fossem usados diretamente na alimentação humana poderiam alimentar cerca de 800 milhões de pessoas.

Extrapolando esta dinâmica por toda uma classe média em aparecimento no continente asiático que facilmente chegará às centenas de milhões, ficamos com uma ideia do valor crescente que os terrenos agrícolas ganham.

Estes fundamentos despertaram o interesse de muitos investidores internacionais como Jim Rogers e George Soros.

Atualmente a idade média dos agricultores americanos está em 58 anos. O USDA estima que mais de um terço de todos agricultores americanos deixarão a atividade nos próximos 15 anos.

Nos Estados Unidos o preço dos terrenos agrícolas têm vindo a subir consistentemente colocando ganhos de dois dígitos desde 2005 com exceção para o ano de 2008. No ano de 2012 um estudo do Banco Reserva Federal de Chicago revelou que os terrenos agrícolas do Iowa, Illinois, Indiana, Wisconsin e Michigan aumentaram o seu valor na ordem dos 15 %. Este tipo de ganhos foram fonte de preocupação para alguns que apontam a possibilidade de uma potencial bolha agrícola, enquanto que outros contrapõem com a insegurança dos mercados bolsistas e de fundos de investimentos desregulados e o inevitável disparo da procura de produtos alimentares à escala global.

O frenesim da compra de terrenos agrícolas nos Estados Unidos, estendeu-se já ao Brasil, onde Agricultores Norte-Americanos compraram já terras a uma fração do que custaria no seu país. Isto levou o Governo Brasileiro a fazer passar uma lei que restringe a posse de propriedades a estrangeiros em 25 % por município.

Intervenções governamentais para dissuadir grandes fluxos de investimento estrangeiro têm vindo a aumentar pelo mundo inteiro, uma vez que o solo arável é cada vez mais visto como um recurso estratégico. Este é um fator a ser tido em conta para pessoas que investem em ETF’s ou companhias com grandes portfólios de terras aráveis.

Outro exemplo de protecionismo é a lei das terras rurais que passou na Argentina em 2011. Esta lei limita a posse de propriedades por estrangeiros em 1000 hectares.

  2 respostas a “Terrenos agrícolas, o próximo boom”

  1.  

    [...] especialistas um acréscimo superior a dois milhões de toneladas de alimentos já motivados pelo aumento da procura de alimentos, no entanto a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação alerta que 28 dos [...]

  2.  

    A agricultura já é um elemento de exportação e será cada vez mais um negócio internacional. Também neste sector será cada vez mais importante os serviços de uma boa Empresa de tradução.

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